O secretário municipal de Agricultura de Cruz Alta, João Augusto Telles, concedeu entrevista à Rádio Cidade e ao Jornal Tribuna das Cidades para falar sobre a realização do 2º TecnoShow da Irrigação e do 1º Encontro Internacional de Irrigantes. O evento ocorre nos dias 13 e 14 de maio e deve reunir produtores, especialistas, autoridades e representantes de diversos países para discutir o avanço da irrigação no Brasil.
Durante a entrevista, Telles destacou a relevância do tema e reforçou que a irrigação está no centro das discussões atuais, tanto no cenário estadual quanto federal.
“A expectativa é a melhor possível, porque se trata de uma pauta extremamente importante. Hoje, se a gente observar o que dizem os governos estadual e federal, a irrigação é uma das principais agendas. Pensando nisso, decidimos trazer para Cruz Alta esse encontro, resgatando também o TecnoShow da Irrigação, que já havia sido realizado há cerca de 25 anos. A nossa intenção é colocar Cruz Alta no centro das discussões sobre os gargalos da irrigação”, afirmou.
Segundo o secretário, o evento terá dois eixos principais: político e técnico. Na parte política, serão debatidos entraves que ainda dificultam o avanço da irrigação no país.
“Hoje existem alguns obstáculos que impedem a irrigação de avançar como poderia. Temos questões ambientais, licenças, outorgas. Precisamos discutir isso com clareza. Queremos trazer esse debate e também o anseio dos produtores, tanto daqueles que já irrigam quanto dos que desejam começar, oferecendo esclarecimentos sobre como funciona o processo e o que está acontecendo no Estado”, explicou.
Telles ressaltou ainda a participação de autoridades importantes no evento, como representantes do Governo do Estado e a secretária do Meio Ambiente.
“Teremos a presença da secretária Marjorie, do Meio Ambiente, que vai trazer respostas importantes, além da participação da Secretaria de Agricultura e do próprio Executivo estadual. O vice-governador também estará presente, o que reforça a importância desse debate”, destacou.
Na programação técnica, o evento contará com especialistas de renome nacional e internacional. Telles fez questão de enfatizar a qualidade dos palestrantes convidados.
“Estamos trazendo palestrantes altamente qualificados, inclusive brasileiros que atuam no exterior, como o doutor Linné e o professor Carlesso, que são referências quando se fala em irrigação. Um deles está na Suíça e desenvolve pesquisas no mundo inteiro, outro atua nos Estados Unidos, em Nebraska. Também teremos técnicos do Uruguai, da Argentina e do Paraguai, mostrando como funciona a irrigação nesses países”, relatou.
O secretário reforçou que o encontro terá caráter internacional justamente pela troca de experiências entre diferentes realidades.
“Vamos poder entender como a irrigação é feita em outros países, como nos Estados Unidos, onde há grande desenvolvimento na área. Precisamos ampliar nossa área irrigada, que ainda é muito pequena. O Brasil tem potencial para irrigar mais de 30 milhões de hectares sem causar danos ambientais, e esse é um dado que precisamos trazer à tona”, afirmou.
Outro destaque da programação será a palestra do economista Antônio da Luz, que abordará a gestão e os custos da irrigação.
“Teremos uma palestra voltada à gestão e ao custo, mostrando, por exemplo, a diferença econômica entre um hectare irrigado e um hectare de sequeiro. O impacto no PIB do município é muito significativo. A irrigação traz ganhos concretos para o produtor e para toda a economia local”, disse.
Telles enfatizou que a irrigação é uma ferramenta essencial para garantir estabilidade produtiva, especialmente diante das variações climáticas.
“A irrigação proporciona renda certa ao produtor. Há muitos anos se fala que, se cada produtor tivesse pelo menos 30% da sua área irrigada, não precisaria de seguro agrícola. Ele teria garantia de produtividade, com resultados muito superiores. Em algumas culturas, como o milho, a produtividade pode chegar a três vezes mais; na soja, pode dobrar”, pontuou.
O secretário também abordou os impactos das estiagens e das chuvas excessivas que atingiram o Rio Grande do Sul nos últimos anos.
“Vivemos uma situação muito difícil. Em alguns momentos não se colhe por falta de chuva, em outros se perde pela chuva em excesso. Isso é crítico para o produtor rural. Por isso, além da irrigação, precisamos discutir medidas como a securitização e o alongamento das dívidas. É humanamente impossível passar quatro anos sem colher adequadamente e manter a atividade sem apoio”, afirmou.
Outro tema que será debatido no evento é o armazenamento de água, especialmente por meio de barragens.
“Precisamos pensar em formas de armazenar a água que temos no inverno, quando há excesso, para utilizá-la no verão. Isso traria um equilíbrio ideal. Sabemos que existem debates ambientais sobre barragens, mas também há estudos que mostram benefícios, como a criação de microclimas e melhorias na biodiversidade local. Essas questões serão apresentadas e discutidas durante o evento”, explicou.
Telles também destacou a importância de Cruz Alta no cenário da irrigação, lembrando que o município possui o título de Capital Gaúcha da Irrigação.
“Cruz Alta tem tradição nesse setor. Junto com municípios como Santo Augusto e Santa Bárbara do Sul, já concentrou grande parte da área irrigada do Estado. Hoje, seguimos como referência, inclusive com um polo regional de irrigação reconhecido nacionalmente, envolvendo cerca de 20 municípios e parcerias com universidades e institutos de pesquisa”, afirmou.
Sobre o legado do evento, o secretário ressaltou que a iniciativa busca impulsionar o desenvolvimento econômico e preparar o município para novas demandas.
“Cruz Alta está recebendo empresas e precisa de matéria-prima. Quando falamos em biodiesel, falamos em soja e milho. Quando falamos em fábricas de ração, precisamos de produção agrícola. E a irrigação é fundamental para garantir essa oferta. Além disso, temos uma localização estratégica, com entroncamento rodoferroviário, o que favorece a logística. Esse evento pode ser um marco para ampliarmos ainda mais nossa capacidade produtiva”, destacou.
Ao final da entrevista, Telles reforçou o convite para participação no evento.
“Quero convidar todos os produtores e interessados para os dias 13 e 14 de maio. Não é uma perda de tempo, é um investimento. Quem já irriga e quem pretende começar vai sair daqui com uma nova visão, após ouvir experiências de diferentes partes do mundo. É uma oportunidade de crescimento”, concluiu.
Programação
13 de maio de 2026 (quarta-feira)
07h30 às 08h30 – Credenciamento e coffee break
08h30 às 09h00 – Abertura oficial com autoridades e parceiros
09h00 às 11h30 – Painel 1: Palestras Técnicas
• Seca em soja/milho no RS e indicadores bioclimáticos
• Gestão internacional da irrigação (Suíça e Nebraska/EUA)
11h30 às 13h30 – Debate e intervalo para almoço
13h30 às 17h00 – Painel 2: Políticas Públicas para Irrigação e Desenvolvimento Rural
• Apresentações institucionais (ANA, ANEEL, MIDR, FETAG-RS, SEMA/FEPAM e FARSUL)
• Debate e perguntas do público
14 de maio de 2026 (quinta-feira)
08h00 às 08h30 – Coffee break
08h30 às 10h30 – Painel 3: Resultados Econômicos, Tecnologia e Ganhos Ambientais
• Economia e irrigação de precisão
10h30 às 11h30 – Painel 4: Experiências Internacionais no Mercosul
• Uruguai e Argentina
11h30 às 13h30 – Debate e intervalo para almoço
13h30 às 15h30 – Painel 5: Experiências de Produtores: Desafios e Oportunidades
• Relatos do RS, Centro-Oeste, Argentina e Paraguai
15h30 às 17h00 – Debate, encerramento e apresentação do Documento de Intenções para o Rio Grande do Sul
O evento será realizado no Clube Arranca, em Cruz Alta, com início às 7h30.
Inscrições:
https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdIxC6L61O8P9AZBq930ihg37MuDhwBwJ7YnptXqUFDMQDpRA/viewform
Daniel Paulus - Jornalista MTB 19879/RS





