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Nego Di é condenado a mais de 14 anos de prisão por estelionato e lavagem de dinheiro
Publicado em 25/06/2026 17:01
POLÍCIA

 

O influenciador digital Dilson Alves da Silva Neto, conhecido nacionalmente como Nego Di, foi condenado pela Justiça a 14 anos e seis meses de prisão em regime fechado pelos crimes de estelionato, lavagem de dinheiro qualificada e uso de documento falso. A sentença foi proferida na última terça-feira (23).

Na mesma decisão, a esposa do influenciador, Gabriela Vicente de Sousa, também foi condenada por lavagem de dinheiro. A pena fixada para ela é de oito anos e quatro meses de reclusão, igualmente em regime fechado.

Além das condenações principais, Nego Di recebeu mais um ano e 15 dias de prisão simples, em regime inicial semiaberto, por promover uma loteria considerada ilegal pela Justiça.

De acordo com a denúncia do Ministério Público, o influenciador realizou pelo menos 34 rifas virtuais sem autorização legal entre novembro de 2022 e maio de 2024. As campanhas eram divulgadas por meio das redes sociais e prometiam prêmios em dinheiro e bens de alto valor mediante a compra de bilhetes pelos participantes.

Um dos casos investigados envolveu o sorteio de um veículo Porsche Macan, avaliado em aproximadamente R$ 500 mil, além de outras premiações em dinheiro que totalizariam cerca de R$ 650 mil. Conforme a acusação, o esquema teria causado prejuízo de mais de R$ 185 mil a, pelo menos, 9.683 pessoas.

As investigações apontaram ainda que, após a arrecadação dos valores, o influenciador e sua esposa teriam movimentado mais de R$ 2,4 milhões por meio de contas de terceiros, operações financeiras e aquisição de bens com o objetivo de ocultar a origem ilícita dos recursos.

Outro fato destacado no processo foi a divulgação de um comprovante falso de doação para as vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul. Segundo o Ministério Público, Nego Di divulgou nas redes sociais uma transferência que aparentava ser de R$ 1 milhão, quando o valor efetivamente doado teria sido de apenas R$ 100.

Na sentença, o magistrado entendeu que ficou comprovado que o influenciador tinha conhecimento da ilegalidade das atividades realizadas. O juiz destacou que não se tratava de uma ação isolada, mas de um esquema estruturado e de grande alcance, que movimentou mais de R$ 2,5 milhões.

Em relação ao sorteio do Porsche, a Justiça concluiu que não havia intenção real de entregar o prêmio anunciado, caracterizando o crime de estelionato. Conforme a decisão, houve simulação de procedimentos para dar aparência de legalidade à promoção, incluindo a encenação de contato com uma suposta vencedora.

Sobre a condenação por lavagem de dinheiro, a sentença aponta a existência de um esquema complexo de movimentação financeira, utilizando contas bancárias e empresas ligadas ao casal para dificultar o rastreamento dos valores.

A participação de Gabriela Vicente de Sousa foi considerada fundamental para o funcionamento da estrutura investigada. Segundo o juiz, ela disponibilizou contas e mecanismos financeiros utilizados para movimentar os recursos e também teria sido beneficiada pela aquisição de bens com dinheiro proveniente das atividades ilícitas.

Até o fechamento desta edição, a defesa de Nego Di não havia se manifestado sobre a condenação.

 

Fonte: Gaúcha GZH

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