O custo de produção do leite no Rio Grande do Sul registrou queda no mês de fevereiro, trazendo um alívio parcial aos produtores rurais. Mesmo assim, o cenário ainda é desafiador, já que os preços pagos pelo produto têm apresentado retração mais acentuada.
De acordo com dados divulgados pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), o Índice de Insumos para Produção de Leite Cru (ILC) apresentou deflação de 2,7% no período. A redução está diretamente ligada à queda nos preços de insumos essenciais para a atividade.
Entre os principais fatores que contribuíram para o recuo estão as commodities agrícolas. A soja teve diminuição de 4,2%, enquanto o milho recuou 2,4%, impactando diretamente os custos com alimentação do rebanho, como ração e silagem.
Outros itens também ajudaram a reduzir as despesas nas propriedades, como fertilizantes (-1,72%), combustíveis (-0,37%) e energia elétrica, que apresentou queda de 6,7%, influenciada pela sazonalidade característica do início do ano.
No acumulado de 2024, o índice já registra retração de 4,49%, acompanhando indicadores econômicos mais amplos, como o IGP-DI, da Fundação Getulio Vargas (FGV), o que aponta para um movimento de desaceleração nos custos do setor agropecuário.
Apesar desse cenário de redução nos gastos, a rentabilidade da produção leiteira continua comprometida. Isso ocorre porque os valores pagos aos produtores vêm caindo em ritmo mais acelerado.
Nos últimos 12 meses, enquanto o custo de produção teve queda de 7,7%, o preço recebido pelo leite apresentou uma redução ainda mais significativa, próxima de 20%, diminuindo as margens de lucro e aumentando a preocupação entre os produtores.
Fonte: Agrolink