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Tarifa de 25% dos EUA entra em vigor: o que realmente muda para o agronegócio brasileiro?
Enquanto soja, carne bovina e fertilizantes escapam da nova tributação, setores como tabaco, açúcar, etanol e máquinas agrícolas passam a enfrentar um cenário muito mais desafiador
Publicado em 23/07/2026 10:11
AGRO

A nova tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre diversos produtos brasileiros entrou em vigor nesta semana e já altera o ambiente das exportações nacionais.

Inicialmente, havia grande preocupação de que as principais commodities agrícolas brasileiras fossem atingidas, o que poderia provocar impactos expressivos na renda do produtor rural. Entretanto, a versão definitiva da medida trouxe uma ampla lista de exceções, preservando diversos produtos considerados estratégicos para o comércio entre os dois países.

Ainda assim, importantes segmentos da economia brasileira passarão a enfrentar maior concorrência internacional e redução de competitividade no mercado norte-americano.

Panorama geral

A tabela abaixo resume os principais produtos brasileiros e sua situação diante da nova tarifa.

Cadeia / Produto

Situação

Impacto esperado

Café verde (grão)

Isento

Muito baixo

Café solúvel

Tarifado

Alto

Carne bovina

Isenta

Muito baixo

Laranja

Isenta

Muito baixo

Suco de laranja

Isento

Muito baixo

Açúcar

Tarifado

Alto

Etanol

Tarifado

Muito alto

Tabaco

Tarifado

Muito alto

Fertilizantes

Isentos

Baixo

Produtos farmacêuticos

Isentos

Baixo

Petróleo e gás

Isentos

Baixo

Aeronaves e componentes

Isentos

Baixo

Máquinas agrícolas

Tarifadas

Alto

Implementos agrícolas

Tarifados

Alto

Calçados

Tarifados

Muito alto

Têxteis

Tarifados

Alto

Móveis

Tarifados

Alto

Madeira beneficiada

Tarifada

Alto

Soja em grão

Não está entre os principais produtos atingidos

Baixo

Milho

Sem impacto relevante identificado

Muito baixo

Celulose (grande parte)

Preservada

Baixo

Quem perde mais?

Os setores mais prejudicados serão aqueles que dependem do mercado americano e que disputam espaço com fornecedores de outros países.

Entre eles destacam-se:

  • tabaco;
  • açúcar;
  • etanol;
  • café solúvel;
  • máquinas e implementos agrícolas;
  • móveis;
  • madeira industrializada;
  • calçados;
  • indústria têxtil.

Com a sobretaxa de 25%, esses produtos chegam aos Estados Unidos mais caros, reduzindo sua competitividade e favorecendo concorrentes internacionais.

A boa notícia para os produtores de grãos

A maior preocupação do produtor brasileiro estava concentrada sobre a soja.

Felizmente, a soja em grão não aparece entre os principais produtos atingidos pela nova tarifa. Além disso, os Estados Unidos representam uma parcela relativamente pequena das exportações brasileiras desse produto, cujo principal destino continua sendo a China.

O milho também deverá sofrer impacto praticamente irrelevante, já que o fluxo comercial entre Brasil e Estados Unidos nesse mercado é limitado.

O maior impacto no Sul do Brasil

Para o Rio Grande do Sul, a principal preocupação está concentrada no tabaco.

A fumicultura representa uma das atividades agrícolas mais importantes da região Sul, envolvendo milhares de produtores e movimentando bilhões de reais em exportações.

A nova tarifa reduz a competitividade do produto brasileiro frente a países concorrentes, podendo diminuir embarques e pressionar preços.

Outro segmento que merece atenção é o de máquinas e implementos agrícolas.

O Brasil possui fabricantes altamente competitivos nesse setor, e uma redução das vendas aos Estados Unidos pode afetar investimentos, produção e geração de empregos.

Impactos indiretos para o produtor rural

Mesmo que boa parte das commodities brasileiras tenha sido preservada, os reflexos econômicos podem atingir todo o agronegócio.

Entre eles:

  • maior volatilidade do dólar;
  • mudanças no fluxo mundial do comércio;
  • redirecionamento das exportações brasileiras;
  • maior concorrência em alguns mercados;
  • necessidade de abertura de novos compradores internacionais.

Ao mesmo tempo, um câmbio mais valorizado pode favorecer parte das exportações agrícolas brasileiras, compensando parcialmente os efeitos negativos das tarifas.

Uma leitura estratégica

Essa decisão dos Estados Unidos vai muito além da simples cobrança de uma tarifa.

Ela confirma uma tendência mundial de fortalecimento do protecionismo comercial, em que grandes economias utilizam barreiras tarifárias como instrumento de política econômica e geopolítica.

Para o Brasil, o episódio reforça a necessidade de ampliar acordos comerciais, diversificar mercados compradores e agregar valor aos produtos exportados, reduzindo a dependência de poucos destinos.

Conclusão

Embora o anúncio inicial tenha provocado grande apreensão, a versão definitiva da medida foi menos severa para o agronegócio do que se imaginava.

As principais commodities agrícolas — como soja, carne bovina, café verde e fertilizantes — permaneceram preservadas, limitando os impactos diretos sobre grande parte dos produtores rurais.

Por outro lado, setores como tabaco, açúcar, etanol, café solúvel, máquinas agrícolas e produtos industrializados passam a enfrentar um cenário significativamente mais competitivo.

O momento exige acompanhamento permanente das negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos e reforça a importância de o país ampliar mercados e fortalecer sua competitividade internacional.

 

Marcio Ücker
Especialista em Gestão de Negócios pelo Centro Universitário de Lisboa, Portugal, 2024 e Produtor Rural Gaúcho.

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