Enquanto no Brasil pouco mais de 20% dos estabelecimentos agropecuários recebem assistência técnica, no Rio Grande do Sul esse percentual sobe para 49,9%. Esse é o resultado direto da atuação da Emater/RS-Ascar, presente em todos os municípios gaúchos.
A história da atual Emater/RS-Ascar iniciou há exatos 71 anos, quando, em 2 de junho de 1955 foi fundada a Associação Sulina de Crédito e Assistência Rural (Ascar), que atua junto à Emater/RS desde 14 de março de 1977. Nessas mais de sete décadas, a Instituição vem oferecendo Assistência Técnica e Extensão Rural e Social (Aters) aos agricultores e pecuaristas familiares e demais públicos do meio rural gaúcho, contribuindo para a qualificação da produção, a conservação dos recursos naturais e o fortalecimento das comunidades rurais.
De acordo com o presidente da Emater/RS, Claudinei Baldissera, a agricultura familiar ocupa posição estratégica no desenvolvimento do Estado. Além de concentrar a maior parte dos estabelecimentos rurais e da mão de obra agrícola, o segmento é responsável pela produção de ampla diversidade de alimentos, que abastecem mercados locais, regionais, nacionais e internacionais. "A agricultura familiar tem uma contribuição econômica para o desenvolvimento dos municípios e do Estado, mas também desempenha um papel social, alimentar e ambiental fundamental", destaca Baldissera.
Dados do Censo Agropecuário de 2017 mostram que a agricultura familiar representa 77% dos estabelecimentos rurais brasileiros, reunindo cerca de 4 milhões de propriedades. Embora ocupe apenas 23% da área agrícola nacional, responde por 67% da mão de obra empregada no campo, com mais de 10 milhões de trabalhadores.
DESENVOLVIMENTO GAÚCHO
No Rio Grande do Sul, a representatividade é ainda maior. Conforme a chefe de Pesquisas Agropecuárias do IBGE/RS, Fernanda Assaife, a agricultura familiar responde por 80,5% dos estabelecimentos rurais do Estado e concentra 72,2% das pessoas ocupadas na atividade agropecuária.
A produção oriunda dessas propriedades está presente no cotidiano da população. Produtos como hortaliças, feijão, leite, ovos, mandioca, erva-mate, carne suína e de aves têm forte participação da agricultura familiar. No caso das proteínas animais, 57,6% da produção de suínos e 64% da produção de aves no Rio Grande do Sul são provenientes desse segmento.
Além da produção de alimentos, a agricultura familiar impulsiona as economias locais, gera empregos, preserva saberes tradicionais e contribui para a conservação ambiental por meio de sistemas produtivos diversificados e sustentáveis. Nas feiras e cooperativas, produtores e consumidores fortalecem uma relação direta que garante alimentos frescos, renda às famílias rurais e maior valorização da origem dos produtos.
Para os próximos anos, a Emater/RS-Ascar projeta desafios relacionados à adaptação às mudanças climáticas, à conservação do solo e da água, à sucessão rural e ao fortalecimento da participação de mulheres e jovens no campo. A Instituição também busca ampliar ações voltadas à gestão das propriedades e à promoção de sistemas produtivos mais sustentáveis e resilientes.
Segundo Baldissera, o trabalho da Extensão Rural e Social vai além da assistência técnica, alcançando toda a estrutura familiar. “A Emater atua com as famílias e com todo o núcleo familiar, desenvolvendo ações voltadas à juventude rural, à sucessão geracional e ao fortalecimento do protagonismo das mulheres como empreendedoras dos estabelecimentos rurais. Nosso trabalho também contempla crianças, adolescentes, adultos e idosos que produzem alimentos e contribuem para a preservação do meio ambiente”, destaca.
Ao completar 71 anos de atuação, a Ascar reafirma seu compromisso com o desenvolvimento rural sustentável, a produção de alimentos de qualidade e a melhoria das condições de vida das famílias que vivem e trabalham no campo.
Foto: Cleuza Brutti, jornalista da Emater/RS-Ascar na região de Santa Maria