A 49ª edição da ExpoInter, realizada no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, reúne produtores rurais, empresas, entidades e visitantes em uma programação que evidencia a força e a diversidade do agronegócio do Rio Grande do Sul. Durante a feira, a Rádio Cidade e o Jornal Tribuna das Cidades conversaram com representantes da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) sobre o momento vivido pelo setor, a importância da exposição e as perspectivas para os próximos anos.
O vice-presidente da Farsul e presidente do Sindicato Rural de Cruz Alta, Moacir Magalhães Medeiros, avaliou de forma positiva o andamento da feira. Segundo ele, mesmo ainda durante a programação, a ExpoInter já demonstra ter alcançado seus principais objetivos, com grande presença de público.

Para Moacir, um dos diferenciais da feira é justamente a capacidade de reunir diferentes segmentos da sociedade. Além das atividades agropecuárias, a exposição conta com comércio, indústria e agricultura familiar, proporcionando aos visitantes oportunidades de conhecimento, troca de experiências e negócios.
“É uma feira para buscar descontração e, ao mesmo tempo, adquirir conhecimento”, ressaltou.
A participação de Cruz Alta também ganhou destaque durante a entrevista. Moacir apontou a presença de representantes do Sindicato Rural na estrutura da Farsul e na Comissão Jovem da entidade como resultado do trabalho desenvolvido no município. Entre os nomes citados está Sofia Lemos, que ocupa a vice-presidência da Farsul Jovem, além de Bernardo Machado e Bruno Rico, também integrantes da Comissão Jovem estadual.
O dirigente considera que a presença de representantes de Cruz Alta em posições de destaque demonstra a união e o fortalecimento do Sindicato Rural. Para ele, a participação é resultado do trabalho conjunto entre diretoria e associados.
Farsul e a história da ExpoInter
A Farsul acompanha a história da exposição desde suas origens. Moacir lembrou que a feira começou em Porto Alegre e, posteriormente, foi transferida para o espaço onde atualmente está o Parque Assis Brasil, em Esteio. Ao longo das décadas, a estrutura se consolidou como uma das principais vitrines do agronegócio gaúcho.
O diretor administrativo da Farsul, Francisco Shardong, também destacou a importância histórica da exposição. Segundo ele, a atual ExpoInter completa 49 edições, enquanto no próximo ano a feira chegará aos 50 anos. Antes disso, o evento era realizado como exposição estadual, somando outras sete edições à trajetória.
Francisco recordou ainda a transferência da exposição de Porto Alegre para Esteio, destacando as dificuldades enfrentadas para a implantação do parque. O local, segundo ele, anteriormente era utilizado como uma granja de arroz e apresentava condições bastante diferentes das atuais.
A mudança exigiu esforço e planejamento até que o novo espaço fosse consolidado como parque de exposições.

Superação diante das dificuldades
As entrevistas também abordaram os desafios enfrentados pelo setor agropecuário nos últimos anos, especialmente diante dos períodos de estiagem, excesso de chuvas e dificuldades econômicas.
Moacir afirmou que a capacidade de realização de eventos como a ExpoInter, a Expodireto Cotrijal e a FenaTrigo demonstra a perseverança do produtor e de toda a cadeia do agronegócio gaúcho.
Segundo ele, o setor ainda enfrenta dificuldades financeiras após uma sequência de anos de resultados prejudicados pelas condições climáticas e pelos preços das commodities. O dirigente defende a ampliação dos prazos para que os produtores possam reorganizar suas dívidas e continuar produzindo.
Moacir também citou as mobilizações da Farsul e da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), além das articulações realizadas em Brasília em busca de alternativas para o setor.
Na avaliação do dirigente, o produtor rural não busca deixar de pagar seus compromissos, mas precisa de condições e prazo para conseguir reorganizar sua situação financeira e manter a produção de alimentos.
Francisco Shardong também ressaltou a capacidade de resistência do setor. Para ele, eventos como a ExpoInter envolvem uma preparação que começa muito antes da abertura dos portões, especialmente no caso dos animais que participam das competições.

Ele lembrou ainda que o próprio Parque Assis Brasil já enfrentou situações extremas, como as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul. Segundo Francisco, durante uma das enchentes, o local onde a entrevista foi realizada chegou a ficar com aproximadamente 1,20 metro de água.
Mesmo diante dessas dificuldades, a tradição da exposição e o planejamento de produtores e empresas permitem a continuidade do evento.
Olhar para o futuro
Com a proximidade da marca de 50 anos, Francisco acredita que a ExpoInter continuará crescendo e se transformando ao longo das próximas décadas. O dirigente pondera, entretanto, que a feira também estará sujeita aos diferentes momentos econômicos vividos pelo Estado e pelo país.
Para ele, independentemente de períodos de crise ou de crescimento, a expectativa é de que a exposição continue sendo realizada e mantendo sua importância para o setor agropecuário.
Além dos negócios e das novidades tecnológicas, Francisco destacou o aspecto afetivo da ExpoInter. Para ele, o evento também representa uma oportunidade de reencontro para pessoas que deixaram o interior e passaram a viver na região metropolitana, mas mantêm suas raízes e ligação com o campo.
O dirigente fez um convite para que essas pessoas visitem a feira, resgatando símbolos da tradição gaúcha e reencontrando antigos companheiros.
“Isso aqui é como uma volta ao campo”, afirmou Francisco, ao destacar o vínculo emocional que muitos visitantes mantêm com o meio rural.
Com programação até domingo, a 49ª ExpoInter segue reunindo diferentes públicos no Parque Assis Brasil e reforçando a importância do agronegócio, da agricultura familiar, da indústria e do comércio para a economia gaúcha.

Por Daniel Paulus, Jornalista MTB 19879/RS