As dificuldades enfrentadas pelo setor agropecuário estiveram entre os assuntos abordados pelo vereador Airton Becker (MDB) durante entrevista à Rádio Cidade e ao Jornal Tribuna das Cidades. Produtor rural e com atuação voltada ao agronegócio, o parlamentar avaliou o atual cenário do setor e defendeu medidas para permitir que os agricultores tenham condições de permanecer na atividade.
Segundo Becker, o agronegócio enfrenta um período de dificuldades acumuladas nos últimos anos. Ele citou quatro estiagens em um intervalo de cinco anos, além dos impactos provocados pelas enchentes em diferentes regiões do Rio Grande do Sul.
O vereador também criticou as dificuldades encontradas pelos produtores para acessar medidas de crédito e programas destinados ao alongamento de dívidas. Conforme Becker, muitos agricultores não conseguiram acessar as medidas anunciadas e precisaram iniciar novos ciclos de produção com menor capacidade de investimento.
“Quando o produtor não consegue acessar essas medidas para alongar a sua dívida e ter acesso aos créditos bancários, ele acaba tendo que plantar uma nova safra com menos adubo e menos tecnologia. Isso, mais adiante, vai causar uma menor produção”, afirmou.
Becker também mencionou as culturas de trigo e canola, que enfrentaram os efeitos de uma geada registrada recentemente na região. De acordo com ele, ainda não era possível dimensionar todas as perdas, mas os produtores precisariam aguardar a colheita para avaliar os resultados.
Outro ponto destacado pelo vereador foi a redução na contratação de recursos destinados ao financiamento da atividade agrícola. Segundo Becker, embora os valores anunciados nos Planos Safra sejam expressivos, o volume efetivamente contratado pelos produtores vem diminuindo.
“O produtor não tem mais condições de pegar esse recurso. Então, cada ano que passa, é menos recurso”, declarou.
O parlamentar também citou dificuldades relacionadas ao Proagro e ao seguro agrícola, apontando a redução dos recursos disponíveis para essas modalidades como mais um fator de preocupação para os produtores, especialmente os pequenos agricultores.
Para Becker, a situação econômica do setor se soma aos preços das commodities e ao aumento dos custos de produção. Ele citou soja e milho como exemplos de produtos que estariam sendo comercializados abaixo das expectativas dos produtores, enquanto despesas como combustível continuam pressionando o custo das lavouras.
“Os preços estão baixos, os custos estão altos e, agora, praticamente na véspera de começar o plantio da soja, o diesel subiu. É uma situação muito difícil”, afirmou.
Apesar das dificuldades, o vereador destacou a capacidade de resistência dos agricultores. Com mais de três décadas de experiência na atividade rural familiar, Becker afirmou que já acompanhou diferentes momentos de crise e considera o atual período especialmente delicado.
Segundo ele, a atividade agrícola exige planejamento, mas também depende das condições climáticas, já que o produtor trabalha em uma “indústria a céu aberto”, sujeita a excesso de chuva, estiagem, geada e outras adversidades.
“Quando ele pega a semente e coloca na terra, ele tem esperança. É uma das atividades que mais tem que ter esperança, porque é uma empresa a céu aberto”, destacou.
Becker defendeu ainda a necessidade de acompanhamento das discussões sobre a securitização das dívidas agrícolas no Congresso Nacional. O vereador afirmou que pretende continuar acompanhando os debates e mantendo contato com produtores para identificar problemas e buscar soluções para o setor.
“Vamos continuar conversando com os produtores, vendo os problemas e as soluções do agro”, afirmou.
Ao final da entrevista, Becker também relacionou a importância da atividade rural à produção de alimentos para o país e para o mercado internacional. Para ele, apesar das dificuldades econômicas e climáticas, os produtores seguem trabalhando para manter suas propriedades e garantir a produção.
“A gente espera que a agricultura vá para a frente e que o Brasil vá para a frente também”, concluiu.