A Semana Acadêmica de Medicina Veterinária foi aberta oficialmente na noite de segunda-feira (21/09), com duas palestras sobre as primeiras experiências e o cotidiano de dois formandos que já estão no exercício da atividade profissional há pelo menos cinco anos. As duas apresentações aconteceram no salão nobre do campus universitário, que teve uma lotação em torno de 80 participantes, entre acadêmicos, profissionais e especialistas de diferentes áreas da profissão.
A solenidade de abertura foi conduzida pela professora Letícia Camera Dettmer, organizadora da 22ª edição da Semana Acadêmica de Veterinária, representando os colaboradores envolvidos na promoção do evento – que são todos os 30 alunos da 51ª turma do curso de graduação. Em sua saudação inicial, ela declarou que entre outros objetivos a semana acadêmica é uma oportunidade de troca, integração e construção de novos conhecimentos, aproximando estudantes em formação e profissionais que já estão atuando no mercado.
O ciclo de palestras que faz parte da programação entre os dias 21 e 25/09, de acordo com a professora Letícia Camera Dettmer, foi pensado em trazer temas atuais e relevantes relacionados à clínica de pequenos e grandes animais, além de contribuir para ampliar a visão sobre o mercado de trabalho e os desafios enfrentados no cotidiano da profissão. A comissão organizadora contabilizou um total de 105 inscrições nesta semana acadêmica, para um público que deve confirmar presença em seus cinco dias de realização.
ENTUSIASMO EM CADA AMANHECER -
Egresso da UNICRUZ, o veterinário Eduardo da Rosa Salles se formou em 2021 e, nos últimos cinco anos, tem atuado na assistência técnica e no suporte à produção pecuária, em especial no manejo reprodutivo de equinos e em biotécnica reprodutiva conhecida pela sigla IATF (Inseminação Artificial em Tempo Fixo) – uma técnica inovadora que aumenta os parâmetros reprodutivos dos rebanhos. A partir de Júlio de Castilhos, Eduardo Salles participa e difunde iniciativas – como essa - voltadas ao desenvolvimento do setor.
O palestrante usou de muita sinceridade com o público acadêmico, ao admitir que para poder expressar todo seu entusiasmo em cada amanhecer, existe um caminho a ser percorrido com momentos bem sucedidos, mas também, de frustrações. Eduardo Salles aconselhou os universitários a investirem em cursos, estágios e especializações. Ele argumentou que o mercado pode estar saturado por graduados, mas existem muitas oportunidades para quem se diferencia por estar mais preparado.
“Hoje existem, segundo o MEC, cerca de 500 cursos de graduação em Medicina Veterinária no Brasil” disse o palestrante, o que por si só já é suficiente para acender um alerta para quem em breve vai para o mercado. Eduardo Salles disse que toda profissão é um processo de erros e acertos, daí a recomendação para os iniciados sob os momentos de incertezas que vão surgir a partir da colação de grau e a busca por espaço no mercado de trabalho.
“Tudo gera aprendizado e lições” afirmou Eduardo Salles, garantindo que já levou muito coice de égua e varou madrugadas pelas estradinhas rurais em chamadas de atendimento. Numa fetotomia, mostrada através de slides durante a apresentação, o veterinário comentou que foi um dos procedimentos que mais lhe exigiu como profissional, com uma intervenção cirúrgica de mais de quatro horas. “O viver veterinário é o fazer bem feito, não existe meio termo” concluiu.
INFLUÊNCIA FEMININA É DECISIVA -
A planta frigorífica da JBS localizada em Passo Fundo, onde a veterinária Alicia Comin Pietrobiasi trabalha, abate 300 mil aves por dia. Ela foi a segunda palestrante da noite e trouxe relatos interessantes sobre sua atuação como Especialista em Inspeção, trabalhando na linha de abate de frangos para a Arábia Saudita (Saudi GAP), e como Extensionista – fazendo visitas técnicas de fomento a produção de frangos de corte em granjas de produtores integrados, num extenso território da região norte do RS.
Formada pela Universidade de Passo Fundo/UPF, em 2020, a veterinária Alícia Comin Pietrobiasi, não escondeu que ingressou na JBS, sem nenhuma experiência em avicultura. Seu estágio acadêmico foi nos campos da CCGL, aqui em Cruz Alta, com propósitos futuros na cadeia produtiva do leite. Alícia enviou currículos para vários locais, em diversas áreas, sem êxito. Até que recebeu um telefonema para entrevista na JBS. Largou de Paraí, onde morava, fez 85 km até Passo Fundo e, desde então, é puro comprometimento.
Aos 29 anos, ela consolidou um trabalho que lhe consagrou por duas vezes a “Melhor Extensionista do Brasil”, na maior empresa de proteína animal e produtora de carne do Mundo. Sua trajetória profissional foi de adaptação e encaixe numa função que se abriu para sua atuação profissional. Hoje, Alícia não troca o que vem fazendo por nada. Está consciente de que em todas as visitas feitas diariamente, garante que os processos nas granjas sejam feitos dentro das técnicas preconizadas e das políticas corretas – aproximando os interesses do produtor e da empresa.
Um dos segredos compartilhados pela veterinária Alícia, está em manter sempre por perto das decisões a influência da figura feminina. A mulher do produtor possuiu uma lógica que - segundo ela - dá equilíbrio nas decisões e em tudo que se relaciona com os processos de produção, investimentos e escolha. Principalmente, porque a mulher quando cooptada para as visitas técnicas, tem sua participação valorizada e se sente parte do projeto integrado com a empresa JBS.



DEMAIS PALESTRAS PROGRAMADAS –
Já no dia 23/09, a programação traz, além de “Odontologia na Rotina Clínica de Equinos”, com Izaura de Vargas Scherer, e “Cuidados Paliativos na Veterinária” com Rhayane Mainardi.
No dia 24/09, os temas abordados serão “Manejo Nutricional em Bovinos Leiteiros”, com Ângelo Tamiozzo, e “Quanto a Verminose Está Custando ao Seu Rebanho?”, apresentada por Thiago Cardoso.
Encerrando a Semana Acadêmica, no dia 25/09, Hermes Vergara Radmann ministrará a palestra “Rotina de um Médico Veterinário de Grandes Animais”, e “Videocirurgia em Pequenos Animais” com Renan Abreu Müller.