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Polo de Ensino do CBMRS em Cruz Alta fortalece formação de bombeiros e movimenta estrutura regional
Por DANIEL PAULUS
Publicado em 05/10/2026 15:20
NOTICIAS

O município de Cruz Alta passou a sediar, desde maio deste ano, uma importante etapa de formação do Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBMRS). O Polo de Ensino instalado na cidade recebeu a missão de formar 544 bombeiros militares temporários, reunindo alunos de diferentes regiões do Estado e também de outras unidades da Federação.

A estrutura foi preparada para receber os alunos e a equipe responsável pela formação. Segundo o comandante da 2ª Companhia de Bombeiro Militar de Cruz Alta, capitão Vilcemar Chaves da Rosa, cerca de 183 a 185 alunos participam diretamente das atividades, acompanhados por aproximadamente 23 a 24 integrantes da coordenação, além dos instrutores que se deslocam de outras regiões.

A preparação do espaço começou ainda no final de maio. Durante aproximadamente um mês, foram realizadas adequações para atender às necessidades do curso, incluindo alojamentos, salas de aula, banheiros e áreas de convivência. Parte dos alunos permanece alojada no polo, enquanto outros, após o período inicial de adaptação, utilizam hotéis, imóveis alugados ou hospedagens temporárias na cidade.

Formação intensa e voltada à prática

A formação tem aproximadamente 45 dias letivos, distribuídos em um período de cerca de dois meses. A programação combina conteúdos técnicos da atividade de bombeiro com a formação militar.

Os alunos são divididos em sete pelotões e contam com sete salas de aula. Entre as disciplinas estão atendimento pré-hospitalar, salvamento em altura, salvamento terrestre, salvamento veicular, combate a incêndios e salvamento aquático, além das atividades relacionadas à formação militar.

De acordo com o capitão Vilcemar, a proposta é aproximar ao máximo o treinamento das situações que os futuros bombeiros poderão encontrar no serviço operacional.

“É um período em que ele precisa receber todo o conhecimento técnico de bombeiro para que possa, imediatamente após a formatura, ser inserido nas guarnições de serviço”, explicou.

A formação também inclui atividades práticas realizadas em diferentes pontos de Cruz Alta e da região. Estruturas de empresas parceiras, áreas do município e outros espaços são utilizados para proporcionar experiências próximas da realidade operacional.

Os alunos participam ainda de atividades de salvamento aquático em Salto do Jacuí, onde têm contato com embarcações e com procedimentos relacionados a ocorrências em ambientes aquáticos. A formação também pode contribuir para que aqueles que demonstrarem aptidão realizem posteriormente testes para atuação como guarda-vidas na Operação Verão.

Treinamento para diferentes tipos de ocorrências

A realidade enfrentada pelo Rio Grande do Sul nos últimos anos também influencia a preparação dos novos profissionais. Situações envolvendo enchentes, vendavais e outros eventos climáticos fazem parte do contexto para o qual os bombeiros precisam estar preparados.

Durante o curso, os alunos ainda estão em processo de formação e, portanto, não atuam de forma independente em ocorrências. O objetivo é que, ao final da capacitação, estejam preparados para integrar as guarnições e prestar atendimento à população.

O CBMRS mantém equipes especializadas para a primeira resposta em grandes eventos climáticos e desastres. Para o capitão Vilcemar, a formação busca preparar os futuros profissionais para diferentes cenários de emergência.

Estrutura recebeu equipamentos e viaturas

A implantação do polo também mobilizou recursos de diferentes unidades do CBMRS. Viaturas foram cedidas por batalhões de outras regiões para apoiar as atividades de formação e os deslocamentos dos alunos.

Entre os equipamentos utilizados estão caminhões de combate a incêndio, micro-ônibus, vans, caminhonetes e veículos empregados nas atividades de salvamento veicular. Parte dos alunos também realiza estágios em municípios como Ijuí, Panambi e Ibirubá.

O polo recebeu ainda uma embarcação nova, equipada com motor e materiais necessários para as atividades de salvamento aquático.

A estrutura física passou por adequações para atender ao número de pessoas envolvidas no curso. Foram instalados novos alojamentos e adquiridos camas, colchões e armários. Também foram disponibilizados contêineres com banheiros, duchas, vasos sanitários e pias.

As salas de aula receberam carteiras, cadeiras, quadros e televisores. Os alojamentos contam com ventilação e climatizadores, permitindo que os alunos tenham condições adequadas de descanso durante os períodos de intervalo entre as atividades.

Rotina inclui formação militar

Além das disciplinas técnicas, a rotina no polo segue procedimentos próprios da formação militar. Diariamente, os alunos participam de formaturas, com hasteamento das bandeiras do Brasil, do Rio Grande do Sul e de Cruz Alta.

Também fazem parte da rotina exercícios físicos e atividades de organização e limpeza dos espaços. Ao final do dia, os alunos que não estão escalados para serviço ou estágio operacional são liberados.

A primeira turma também marca uma característica inédita para esse tipo de formação no local: a presença de mulheres entre os bombeiros militares temporários. Foram preparados alojamentos e estruturas específicas para o público feminino, enquanto as turmas foram organizadas de forma mista.

Segundo o comandante, a integração entre homens e mulheres durante a formação é importante porque as guarnições de bombeiros também atuam de maneira integrada no serviço operacional.

Alunos vieram de diferentes regiões

A abrangência do polo pode ser percebida pela origem dos alunos. Cruz Alta está entre os municípios representados, mas a turma reúne pessoas de diferentes regiões do Rio Grande do Sul.

Há alunos de cidades como Alegrete, Uruguaiana, Itaqui, Santa Cruz do Sul, municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre, Pelotas, Rio Grande, Santa Maria e Caxias do Sul, entre outras localidades.

Também participam pessoas vindas de outros estados, como Rio Grande do Norte, São Paulo e Pernambuco.

A presença desse público movimenta a cidade durante o período de formação, com parte dos alunos utilizando serviços de hospedagem e outros estabelecimentos locais.

Comunidade é convidada a conhecer o polo

Para o capitão Vilcemar, a receptividade da comunidade cruz-altense tem sido um dos pontos positivos da implantação do polo.

“Fomos muito bem recepcionados, muito bem acolhidos pela comunidade cruz-altense”, afirmou.

O comandante também destacou que o espaço permanece aberto para visitas da comunidade. Segundo ele, há presença permanente de integrantes do CBMRS no local, inclusive durante os períodos em que não estão sendo realizadas atividades de formação.

A instalação do Polo de Ensino representa, assim, não apenas uma estrutura temporária voltada à formação dos novos bombeiros, mas também uma oportunidade para aproximar a instituição da comunidade e utilizar espaços e estruturas de Cruz Alta e da região na preparação dos profissionais que atuarão no atendimento à população gaúcha.

Por Daniel Paulus, Jornalista MTB 19879/RS

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