Considerado uma das maiores obras de infraestrutura previstas para Cruz Alta nas últimas décadas, o projeto do contorno ferroviário segue em fase de elaboração pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes. A proposta prevê a retirada da linha férrea da área urbana, com a construção de cerca de 30 quilômetros de novos trilhos, dois contornos ferroviários, quatro viadutos e um novo pátio de manobras.
Anunciado pelo Governo Federal em 2025, o empreendimento tem como principal objetivo reduzir os impactos causados pela circulação de trens dentro da cidade, melhorando a mobilidade urbana e ampliando a capacidade logística regional. O contrato para elaboração do projeto básico possui prazo de execução de 36 meses e ainda deverá passar por etapas de análise técnica, licenciamento ambiental e definição orçamentária antes do início das obras.
Empresa 3Tentos manifesta preocupação com o traçado
Apesar de reconhecer a importância do projeto para o desenvolvimento do município, a 3tentos demonstrou preocupação com o traçado preliminar que está sendo estudado.
Segundo o diretor industrial da empresa, Leandro Carbone, a companhia não teria sido consultada durante a fase inicial de elaboração da proposta, mesmo sendo uma das maiores usuárias do transporte ferroviário no Rio Grande do Sul.
A empresa possui em Cruz Alta uma unidade de extração de óleo e farelo de soja instalada próxima ao atual pátio ferroviário da concessionária Rumo. Conforme Carbone, a estrutura atual garante eficiência operacional, permitindo carregamentos superiores a 100 vagões por dia.
A principal preocupação é que a transferência do pátio ferroviário para outra área possa aumentar o tempo e os custos das operações logísticas. O diretor também afirmou que, pelo conhecimento que possui, a própria concessionária Rumo não teria participado das discussões iniciais sobre o novo traçado.
Mesmo assim, a empresa ressalta que não é contrária à implantação do contorno ferroviário, defendendo apenas maior diálogo para que sejam encontradas soluções que conciliem os interesses da comunidade e das empresas instaladas no município.
Debate chega à ACI Cruz Alta
As preocupações da 3Tentos foram apresentadas recentemente durante reunião promovida pela Associação Comercial e Industrial de Cruz Alta.
No encontro, representantes da empresa expuseram os possíveis impactos do projeto sobre a logística ferroviária da indústria. A expectativa é de que a entidade empresarial encaminhe as demandas do setor produtivo ao poder público municipal e aos órgãos responsáveis pela elaboração do projeto.
O tema abriu um novo debate em Cruz Alta, envolvendo a necessidade de equilibrar os benefícios urbanos do contorno ferroviário com a manutenção da competitividade das empresas que dependem diretamente da ferrovia para o escoamento da produção.
Lideranças defendem obra como demanda histórica
Apesar dos questionamentos apresentados por parte do setor produtivo, lideranças políticas locais seguem defendendo a implantação do contorno ferroviário.
O presidente da Câmara de Vereadores, Matheus Amaral, afirma que a circulação diária de composições ferroviárias provoca congestionamentos, bloqueios em cruzamentos e transtornos para motoristas e pedestres. Segundo ele, a retirada dos trilhos da área urbana é uma reivindicação histórica da população cruz-altense.
A prefeita Paula Rubin Facco Librelotto também já manifestou apoio ao projeto, destacando que a iniciativa poderá modernizar a logística regional, ampliar a capacidade de escoamento da produção e contribuir para o desenvolvimento econômico do município.
Comunidade poderá participar das discussões
O DNIT informou que o projeto ainda está em desenvolvimento e segue aberto a sugestões e manifestações da sociedade. O órgão orienta que contribuições sejam encaminhadas à unidade local do departamento em Cruz Alta ou aos canais oficiais da Diretoria de Infraestrutura Ferroviária.
Enquanto o debate avança entre comunidade, empresas e lideranças políticas, o contorno ferroviário continua sendo tratado como uma obra estratégica para o futuro de Cruz Alta, mas que ainda precisará buscar equilíbrio entre desenvolvimento urbano e eficiência logística.
Fonte: Jornal Cidades — reportagem de Lívia Araújo.