Segurança no campo mobiliza a entidade
Um dos temas discutidos foi a segurança nas propriedades rurais, especialmente diante dos registros de furtos de equipamentos agrícolas. Lopes afirmou que a Farsul está trabalhando junto aos órgãos de segurança pública do Estado para fortalecer a atuação das delegacias especializadas em crimes rurais.
O presidente mencionou uma demanda apresentada em Cruz Alta relacionada ao furto de equipamentos de pivôs de irrigação. Segundo ele, a situação motivou uma reunião com o chefe de Polícia do Estado, Heraldo Guerreiro, na semana anterior à visita. A entidade recebeu sinalização de reforço nas investigações e no efetivo policial para atender às ocorrências no meio rural.
A atuação das delegacias especializadas, conforme Lopes, é considerada importante tanto para a investigação de crimes como abigeato e furtos de equipamentos quanto para ampliar a fiscalização e a proteção das propriedades.
Alta do diesel preocupa produtores
Outro assunto abordado foi a alta do preço e a dificuldade de abastecimento de óleo diesel, em um período de atividades intensas no calendário agrícola. De acordo com o presidente da Farsul, os produtores enfrentam problemas de disponibilidade do combustível, especialmente dos tipos S-500 e S-10, necessários para o funcionamento das máquinas agrícolas.
Lopes relatou que, cerca de duas semanas antes, o abastecimento nas propriedades ocorria normalmente, com valores aproximados de R$ 5,20 a R$ 5,30 por litro. No entanto, a entidade passou a receber relatos de restrições na oferta e de aumento dos preços, que ele relacionou à alta do petróleo no mercado internacional e à dependência brasileira de importações.
O presidente afirmou que a Farsul mantém contato com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), a Petrobras e o Ministério de Minas e Energia para buscar soluções. Segundo ele, a prioridade neste momento é garantir a disponibilidade do combustível, considerando a colheita das culturas de inverno e a proximidade do plantio da safra de verão, que envolve uma área expressiva no Estado.
Lopes também demonstrou preocupação com possíveis atrasos nas operações agrícolas, destacando que as janelas de plantio e colheita são limitadas e que a falta de diesel pode comprometer o andamento das atividades no campo.
Eventos climáticos e irrigação
As condições climáticas enfrentadas pelo Rio Grande do Sul também estiveram entre os temas da entrevista. Lopes destacou a ocorrência recorrente de eventos extremos nos últimos anos, citando os problemas provocados por ventos fortes na região Sul do Estado, incluindo municípios como Pelotas, Arroio Grande e Pedras Altas.
Para o presidente da Farsul, é necessário ampliar a capacidade de adaptação do setor rural, com medidas que contemplem tanto os períodos de estiagem quanto os de excesso de chuva. Entre as alternativas mencionadas estão a reservação de água, a proteção de áreas sujeitas a alagamentos e o acesso dos produtores a informações técnicas sobre a previsão e a ocorrência de eventos climáticos.
Nesse contexto, Lopes defendeu o estímulo à irrigação como uma política de Estado, incluindo sistemas de inundação, gotejamento e aspersão, como os pivôs centrais. Segundo ele, o investimento em irrigação pode contribuir para dar maior segurança à produção agrícola diante das variações climáticas.
Interiorização e diálogo com os produtores
Ao encerrar a entrevista, Domingos Velho Lopes ressaltou a importância de manter o contato direto com os sindicatos rurais e as lideranças locais. A proposta da interiorização, segundo ele, é ouvir as demandas dos produtores e levar informações atualizadas para que possam tomar decisões sobre suas atividades.
A agenda em Cruz Alta também reforçou a discussão sobre a necessidade de articulação entre as entidades representativas, os órgãos públicos e os produtores rurais para enfrentar os desafios que afetam o agronegócio gaúcho.
